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Turismo de observação de aves cresce e se consolida no Brasil

  • Foto do escritor: Márcio Leal
    Márcio Leal
  • 20 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura
Foto mostra o destaque de um araçari do bico branco, ave preta, com faixas amarela e vermelha no dorso e o bico longo com uma grande mancha branca, em uma árvore e, na toca ao lado, um outro araçari do bico branco, apenas com o rosto para fora.
Araçari-de-bico-branco (Pteroglossus aracari) pode ser encontrada em Itacaré (BA). Região é conhecida por ser um ótimo local para observação de aves, devido à preservação da Mata Atlântica e seus diversos ecossistemas

Não é novidade que o Brasil é um dos países com biodiversidade mais abundante. Com um dos mais ricos e variados ecossistemas do planeta, nosso país é um cenário perfeito para uma atividade que reúne mais de 100 milhões de praticantes no mundo: a observação de aves.


Os números ajudam a traduzir a importância do país no cenário mundial do chamado birdwatching. De acordo com a BirdLife International, existem 10.426 de espécies de aves no mundo; deste total, 1.971 são encontradas no território brasileiro – o que nos coloca entre os três países com mais alto índice de endemismo de aves, ao lado de Colômbia e Peru.


A conexão entre conservação da natureza, observação de aves e turismo é cada vez mais forte. No país, a SAVE Brasil estima que existam cerca de 100 mil observadores no Brasil. E esta cifra tem crescido consistentemente ano a ano: 70% das pessoas iniciaram a prática de Turismo de Observação de Vida Silvestre na última década.


"Unidades de conservação são verdadeiros refúgios. Observar aves nessas áreas é mais do que lazer. Esses espaços são essenciais porque é onde conseguimos enxergar a vida pulsando em equilíbrio, percebendo a importância dos ecossistemas e entendendo o papel de cada espécie", explica Juliana Vitório, bióloga e coordenadora de projetos na SAVE Brasil.


No começo de dezembro, a Embratur e a Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS) formalizaram Acordo de Cooperação Técnica para fortalecer a presença do Brasil no mercado global de turismo de natureza.


Ele reúne metas que ampliam a competitividade do país, como fomentar parcerias público-privadas, identificar experiências qualificadas para promoção no exterior, fortalecer a rede integrada entre operadores e prestadores de serviços, além de compartilhar dados, estudos, imagens e conteúdos essenciais às ações promocionais. A cooperação também orienta a estruturação de novos produtos alinhados às melhores práticas de turismo responsável e sustentável, destacando a conservação da biodiversidade como ativo econômico.


A Embratur vem ampliando de forma inédita sua atuação no segmento. Em maio deste ano, promoveu famtour com operadores britânicos na Bahia. Além disso, garantiu a presença oficial do país no Global BirdFair 2025, na Inglaterra, ao lado da TOVS, investimento decisivo para posicionar o birdwatching brasileiro entre os mais desejados do planeta. E já está confirmada a participação no evento em 2026.


Passarinhar pelo Brasil


O verbo passarinhar já virou comum no ambiente dos parques. O neologismo explica de uma maneira lúdica – e bastante clara – o que as pessoas fazem quando praticam observação de aves.


"A observação de aves é a forma mais simples e inspiradora de se conectar com a natureza", observa Juliana Vitório. "Além disso, os parques tornam a observação de aves mais acessível, conectando a sociedade à conservação de maneira prática e emocional."


No Brasil, diversas iniciativas são realizadas para ampliar as possibilidades da atividade. Uma delas é o Global Big Day, que foi criado em 2015 pelo Laboratório de Ornitologia de Cornell. A ideia era simples: reunir pessoas de todo o mundo para observar aves e registrar o maior número possível de espécies em um único dia na plataforma eBird, unindo paixão pelas aves e ciência.


Em 2025, o October Big Day Brasil foi um sucesso e o país ficou, mais uma vez, entre os cinco primeiros do ranking mundial. Ficamos em terceiro lugar no número de espécies observadas, (1.263) e em quarto lugar no número de listas enviadas ao eBird (6.663).


Interesse crescente


Com o movimento crescente da observação de aves no Brasil, fica nítido que a prática é um ativo importante no ciclo virtuoso da conservação, que inclui a visitação, as unidades de conservação e a geração de renda. Nos Estados Unidos, que têm menos da metade do número de aves do Brasil, o ato de passarinhar movimenta mais de US$ 40 bilhões por ano.


E o que explica tanta gente passarinhando? Além do contato direto com a natureza, existem alguns componentes que podem funcionar como facilitadores. Muita gente utiliza binóculos e máquinas fotográficas, mas para a observação de aves apenas a vontade é suficiente: de qualquer lugar e, mesmo sem nenhuma ferramenta, é possível praticar.


"Observar aves não depende de espaços extraordinários ou de grandes bandos de aves. Qualquer espaço natural pode se tornar um lugar de descobertas. Inclusive, é uma atividade que não tem idade e nem limite e a verdadeira essência está nas pequenas descobertas, como notar o movimento de uma ave entre as folhas, ouvir um canto desconhecido, perceber pequenos comportamentos", explica Juliana Vitório.


Dados do Terceiro Censo Brasileiro de Observação de Aves mostram que 83% das pessoas costumam observar aves em parques naturais, enquanto que 54,9% afirmaram fazer viagens focadas em observação de aves. Não importa em que cidade você esteja – aquele parque que fica aí pertinho é, com certeza, um excelente local para passarinhar.


Para você que quer começar a "passarinhar", veja algumas dicas apresentadas pela especialista da SAVE Brasil:


  • Comece pelas aves do seu bairro, até mesmo do seu quintal ou janela do apartamento. Todo ambiente ao ar livre é propício para passarinhar.

  • Observe. Cores, sons, comportamentos: coloque sua atenção nas aves, sem pressa, sem acelerar o tempo.

  • Aos poucos, comece a explorar as plataformas de observação de aves. Sabe aquele passarinho azul que apareceu na janela? Qual o nome dele? Ferramentas como Wikiaves e Merlin podem ajudar.

  • Participe de grupos! Diversas regiões do país possuem grupos de troca de ideias e de saídas para observação de aves. Faça uma pesquisa rápida no Google com “vem passarinhar” + “o nome da sua região” e encontre a sua turma.

  • Colabore com a ciência cidadã e registre suas observações no eBird.

  • Aproveite o momento: cada encontro é uma chance de se conectar com a natureza!


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