Guia propõe estratégias para combater desinformação climática
- Márcio Leal

- há 2 dias
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A crise climática não é apenas ambiental, é também uma crise de informação. Para enfrentar essa realidade, Projeto Brief, em parceria com o Instituto DX e o Observatório do Clima, lançaram o Guia de Comunicação Estratégica para a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima.
Desenvolvido a partir da articulação entre diferentes organizações e especialistas, o material reúne estratégias práticas para transformar a forma como o tema climático é comunicado, conectando ciência, cotidiano e mobilização social, enfrentando a desinformação e qualificando o debate público no Brasil.
O guia parte de um dado que ajuda a dimensionar o desafio: 34% de brasileiras e brasileiros dizem não saber o que são mudanças climáticas, índice que chega a 54% entre as classes D e E, segundo pesquisa Datafolha. Ao mesmo tempo, três em cada quatro pessoas reconhecem que suas cidades não estão preparadas para eventos extremos.
Esse descompasso, segundo o documento, abre espaço para a desinformação e dificulta a construção de respostas coletivas. "As pessoas sentem a crise no corpo e no bolso, mas não a reconhecem como um fenômeno político e coletivo", aponta o guia.
Para isso, o material propõe uma mudança de abordagem: comunicar sobre clima deixa de ser apenas traduzir dados e passa a ser parte central da própria ação climática. A publicação defende que a forma como o problema é narrado influencia diretamente o engajamento da sociedade, podendo gerar mobilização ou paralisia.
Entre as principais diretrizes, estão:
Partir da experiência cotidiana, como calor extremo, enchentes e aumento no preço dos alimentos, para tornar o tema mais concreto;
Criar conexão emocional antes de explicar conceitos, disputando atenção em um ambiente saturado de informação;
Dar visibilidade a soluções, evitando o excesso de narrativas catastróficas que geram apatia;
Combater a desinformação com contexto e antecipação, e não apenas com correções reativas;
Fortalecer a confiança nas fontes, reconhecendo o papel de influenciadores, lideranças locais e comunicadores populares;
Disputa de narrativa e crise de confiança.
O guia também chama atenção para um ponto central do debate climático atual: as diferentes formas de contar a história do clima e como isso influencia a percepção e a confiança da população.
Segundo o documento, a desinformação não prospera apenas por falta de dados, mas também pela crise de confiança nas instituições. Nesse cenário, a comunicação precisa ir além da checagem de fatos e investir em clareza, consistência e construção de vínculos com o público.
Outro alerta é sobre o uso excessivo de mensagens alarmistas, que podem gerar ansiedade e afastamento. Em vez disso, o material recomenda uma comunicação que reconheça o problema, mas aponte caminhos possíveis e benefícios concretos para a população.
"O que está em jogo não é apenas informar melhor, mas criar condições para que a sociedade compreenda, confie e participe das soluções", resume o documento.




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