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Apenas 35,2% de roteiristas conseguem atuar exclusivamente como profissionais da área

  • Foto do escritor: Márcio Leal
    Márcio Leal
  • 7 de jan. de 2024
  • 3 min de leitura


Mapeamento inédito realizado pela Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA) consolida dados sobre quem são e quais são as condições de trabalho desses e dessas profissionais. E, de maneira geral, os resultados mostram a precarização da profissão nas últimas décadas.


Segundo o levantamento, 63% são autônomos e apenas 35,2% conseguem atuar exclusivamente como profissionais da área. Além disso, 37,9% disseram que já tiveram créditos como autor ou autora omitidos ou aplicados de forma errada. A pesquisa foi realizada com 462 associadas da ABRA, por meio de metodologia qualitativa, no período de 26 de setembro a 16 de outubro de 2022.


"O audiovisual brasileiro vem passando por muitos desafios por décadas. E isso tem um impacto direto na categoria de autores-roteiristas. Precisávamos mergulhar na pluralidade das pessoas que compõem a classe profissional para planejar o presente e o futuro", explica a conselheira eleita para o biênio 2023-2025, Mariana Paiva, que coordenou o levantamento.


Atualmente, roteiristas e outros autores do audiovisual, como diretores e intérpretes, não são remunerados pela exibição de suas obras em diferentes telas, ao contrário do que ocorre em outros países, como Argentina, Chile, Colômbia, Espanha e França. A ausência de direitos de remuneração foi inclusive tema de Carta do 9° Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual, realizado em dezembro.


"Se a gente não der condição desse roteirista viver do seu ofício, nós não vamos conseguir continuar esse ecossistema com a pujança que ele deveria ter pra contar a história desse país", afirma o roteirista e produtor André Mielnik, atual presidente da ABRA.


Diversidade


Na pesquisa, 51% se declararam homens, enquanto 45,1% mulheres cis. Já pessoas não-binária, travestis, mulheres e homens transgêneros somam 2,7% de roteiristas da associação. Pessoas negras são apenas 8,9%, pardas 10,2% e amarelas, 2%. Nenhum indígena foi registrado. E apenas 0,9% se declaram PCD.


A maior parcela de roteiristas nasceu na região Sudeste, sendo que 64% nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, seguido por Minas Gerais, com 4,9%. Também há 4,5% de pessoas nascidas no Rio Grande do Sul e 4,2% na Bahia. Em relação ao estado de residência, a concentração é ainda maior: 81% de roteiristas moram no eixo Rio-SP, mostrando uma grande migração dos profissionais para esses grandes centros.


"A falta de diversidade étnica, de gênero e regional é uma realidade em toda cadeia da indústria audiovisual e exige permanente debate e acompanhamento, apontou a roteirista Thais Olivier, vice-presidente da ABRA. "Vivo na zona da Mata de Minas Gerais, sei como é difícil estar fora do eixo. Há uma crença de que não há mercado audiovisual fora do eixo Rio-SP, mas nós existimos e estamos fazendo cultura há anos."


Ser roteirista


Roteiristas são encarregados de criarem a ferramenta base que será utilizada nas produções audiovisuais: o roteiro. Ele conta a história do filme e é também o que vai guiar a equipe de produção e tudo que será construído no set de filmagem e, posteriormente, exibido em nossas telas.


São projetos que exigem pesquisa, criatividade e conhecimento das demais etapas de produção. Então, roteiristas colocam no papel o que está na imaginação e fazem com que simples palavras se tornem mágica nas telas.


O mais comum é que trabalhem no início de uma produção e sua criação vá ganhando vida ao longo das outras etapas. Mas existe a possibilidade de que participem de outras fases do projeto, até mesmo da pós-produção.


Em qualquer uma dos casos, é importante que entendam como funciona toda a cadeia de produção e que a criação possa se adaptar a todas essas fases. Existem diversas possibilidades para roteiristas: estão presentes no cinema, na TV e na internet. Podem trabalhar em teatros, vídeos musicais, filmes, documentários, seriados, novelas, ... Basicamente em qualquer produção.


Na maioria dessas produções, o trabalho do roteirista é solitário e ele trabalha individualmente, com exceção dos seriados, que geralmente são escritos coletivamente no sistema writer’s room (sala de roteiristas).



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